Notícias

Nova técnica reduz cicatriz no pescoço

Os pacientes com distúrbios da tireóide, problema mais freqüente no sexo feminino, agora já podem se beneficiar com a nova técnica cirúrgica que reduz significativamente a cicatriz – em alguns casos a marca some totalmente. Trata-se da cirurgia minimamente invasiva (chamada de miniincisão) na área da cabeça e pescoço, com redução dos 12 cm originais (1906) para 3 cm na incisão atual. “O procedimento é uma tendência mundial e visa otimizar o aspecto da cicatriz, inclusive como parte do tratamento, visto favorecer psicologicamente a qualidade de vida do paciente”, diz o cirurgião Cláudio Eduardo de Oliveira Cavalcanti, pioneiro na técnica no Brasil.

Ele ressalta que, apesar de ser uma evolução, a incisão mínima não garante resultado completamente satisfatório em todos os casos.“Há fatores individuais da fisiologia da cicatrização inerente a cada organismo e que independem da conduta técnica aplicada pelo cirurgião”, observa o médico, que integra a equipe da Santa Casa de Misericórdia de Maceió e também é professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Alagoas, coordenador de cirurgia de cabeça e pescoço do Hospital Escola da Uncisal, pesquisador da Fapeal e coordenador de um grupo de pesquisa em câncer (carcinogênese) cadastrado no CNPq, com doutorado em cirurgia de cabeça e pescoço pela USP. Segundo o profissional, o novo método pode ser usado tanto para se retirar a metade da tireóide (tireoidectomia parcial) quanto a glândula inteira (tireoidectomia total). “Em nosso meio, para cada grupo de 11 mulheres, há apenas um homem com distúrbios da tireóide, mas há opção de tratamento clínico ou cirúrgico com significativa demanda”, esclarece, lembrando que cada caso requer um estudo preciso, a fim de se definir o procedimento mais adequado. “No universo dos pacientes de tireóide, só 7% apresentam nódulo clinicamente perceptível. A maioria é detectado através de exames de ultra-som, sendo 35% na faixa etária entre 20 e 45 anos e 67% acima de 60 anos”, diz o especialista, frisando que os distúrbios da glândula decorrem das alterações no seu próprio metabolismo, induzidas pelo TSH, o hormônio estimulante.

Desde 2001, quando o cirurgião Cláudio Cavalcanti padronizou a miniincisão no Brasil, muitos pacientes vêm sendo beneficiados com a técnica, mas tudo começou em Alagoas. O médico alagoano já fez demonstração prática da cirurgia para colegas de todo o País – a mais recente foi em Aracaju, em agosto, além de ter ministrado um curso pré-congresso no Encontro Brasileiro de Tireóide, no último mês de junho, para endocrinologistas e cirurgiões.

De acordo com o médico, de 1906 até pouco tempo, a cirurgia de tireóide vinha se mantendo imutável até que, em 1996, surgiu na literatura mundial o padrão minimamente invasivo. Nos três anos seguintes (até 1999) foram publicados diversos estudos abordando a novidade. Em 2001, já respaldado pela experiência operando com miniincisão, Cláudio Cavalcanti apresentou esse novo conceito para a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço em congresso nacional da especialidade. Dois anos após, ele foi convidado a fazer explanação do tema durante o I Simpósio Brasileiro de Cirurgia Minimamente Invasiva para Tireóide, realizado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, organizado pelo Dr. Lenine Garcia Brandão, professor Livre Docente da USP. Foi a partir desse evento que o conceito minimamente invasivo passou a ser difundido no meio científico nacional.

A técnica foi publicada na Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e divulgada em oito congressos nacionais, o que contribuiu para a sua adesão pela classe médica. Hoje, a cirurgia é feita em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo, Sergipe, Maranhão e Piauí. A cirurgia de tireóide com incisão mínima tem despertado tanto o interesse da comunidade médica que, atualmente, já existem 253 trabalhos sobre o tema. A adesão é crescente: em 1996 surgiu a primeira experiência; em 2001, cinco; hoje constam 253.


Fonte: Revista Santa Casa (Ano II – Nº 8 – Outubro, Novembro e Dezembro de 2006, p.6)

Download da reportagem em PDF

13 de junho de 2016 Entrevistas
error: Conteúdo protegido.